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Staniando: Coisas que realmente valem a pena
Staniando

Staniando: Coisas que realmente valem a pena

Por Prof.ª Dra. Stânia Vasconcelos

Lembro-me de quando fui ter meu primeiro filho. Quanta dor! Hoje, alguns dizem que a dor do parto não é igual para todas as mulheres. Ela é subjetiva e varia de acordo com questões emocionais, motivacionais, comportamentais, sociais e culturais da mulher. Sei não, mas os meus foram muito dolorosos. O primeiro, então, nem se fala! E aí, vocês me perguntam: então por que teve dois? Por quê? Porque a alegria de ser mãe supera qualquer dor. Essa dor, acho eu, que é a que esquecemos mais rápido, ao ouvir o choro do filho, ali mesmo na mesa de parto, a dor já é esquecida.

Fiz radioterapia. Nas primeiras sessões, o local ficava inchado e dolorido. Muito dolorido. Usava uma pomada para aliviar aquela dor. Dias depois, a parte atingida ficava preta, descascava e caia, dando lugar a uma pele novinha. Todo aquele processo trazia sofrimento, mas, mesmo assim, eu retomava as sessões diariamente, durante vinte e oito dias seguidos. Por quê? Porque considerava que o resultado valeria a pena.

Na data em que escrevo este texto, faz 20 dias que perdi minha mãe, minha Peixinha Dory (06.10.2020). A dor desta perda chega a me sufocar, não sei de onde saem tantas lágrimas, tristeza e tantas lembranças. Como viver sem a pessoa que mais te amou neste mundo?! Sentir-se órfã é inexplicável. Foram 59 anos de convivência, destes, os três últimos foram cruéis já que ela não me reconhecia mais. Mas eu lembrava e lembro de tudo: de sua alegria, cantando o dia todo, de sua elegância nas reuniões de pais no colégio, da sua determinação para educar os seis filhos, a paciência para lidar com o papai, dos seus esforços semanais para dar apoio aos seus pais e irmã, das idas ao centro da cidade e, principalmente, da sua fé em um Deus vivo e verdadeiro que tudo vê e ouve. Um Deus que age com justiça e que permanece ao seu lado, sempre. Ela costumava me dizer, quando eu questionava alguma coisa a respeito de Deus nos permitir certos sofrimentos: “Stânia Nágila, sabe por que sentimos mais a presença de Deus no sofrimento ou na tristeza, ou na angústia, ou no isolamento? Porque Deus é amor e, nestes momentos, Ele não fica somente presente ao nosso lado,

Ele nos abraça e é aí que nossa fé e esperança se acendem mais, e nos aquece, nos fortalece, nos anima, nos mostra outros caminhos. Deus está em cada lágrima derramada!”. Minha mãe era uma mulher sábia?! Não tenho a menor dúvida!

Hoje, escrevendo este texto, com estas lembranças, não lhes nego que parei muitas vezes para enxugar as lágrimas não só da saudade mas de agradecimento a Deus que me presenteou todos os dias de minha vida com aquela que me ensinou tudo o que sei e o que sou. Sou grata a Deus por ter lhe concedido 82 anos de vida calcada na fé, na força, na determinação e na alegria.

Baseada nestas três lembranças citadas, lembro-me de um ditado inglês que diz:  No pain no gain (Sem dor não há ganho). Significa que muitas coisas boas da vida não caem de paraquedas, temos que batalhar por elas ou, ao menos, que alguém lute para que as tenhamos. Essas coisas exigem perseverança, suor, determinação, sacrifícios, privações e, muitas vezes, aceitação. Acrescento mais um ingrediente, aliás dois, gratidão e fé.

Por: Eduardo Sousa

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