• Blog UniCatólica

Staniando:  Um padrão mais elevado
Staniando

Staniando: Um padrão mais elevado

Por Prof.ª Dra. Stânia Vasconcelos.

Durante muito tempo de minha vida, a maior parte dela, fui desleixada com os afazeres domésticos. Daí, surgiu esta pandemia e iniciei uma pesquisa sobre como deixar de ser desorganizada (Olá. Meu nome é Stânia. Eu detesto passar pano na casa ou passar roupa ou guardar as compras do mercantil, ou…). Coube as minhas pesquisas e leituras ajudarem-me na tarefa de redescobrir quais músculos usar para guardar as roupas adequadamente ou varrer a casa diariamente. Meu olfato conheceu a fragrância de Pinho Sol e de Água Sanitária. Foi quando tive que encarar a primeira prova.

Meu marido foi para a fazenda passar uns dias, minha filha também se ausentou e a casa há mais de três meses sem uma faxina completa e eu me encontrava sozinha. No começo, pensei na antiga mulher. Cogitei ser displicente nos próximos dois dias, e asseada no último. No entanto, algo diferente aconteceu: um desconforto que não conhecia. Não ficava tranquila ao ver os pratos acumulados e sujos sobre a pia ou a poeira em cima dos móveis.

O que aconteceu comigo? Fácil. Eu havia sido apresentada a um padrão mais elevado.

Não parece ser semelhante ao que acontece na vida da gente, ultimamente? Vou lhes falar apenas de um, que, acredito, ser um grande diferencial em nossa vida atual.

Antes da pandemia, vivíamos um tempo mais concreto, mais “temporal”, se assim posso dizer. Ela chegou e nos impôs diversos tempos: “tempos de coronavírus”, “tempo de lockdown”, “quarentena” ou “tempo em home office”. Aprendemos a viver esses novos tempos presentes, lições, pessoais e diferentes para cada família e ainda assim, uma experiência compartilhada em todo o mundo.

Então, como fazemos? Eu acredito que essa nova realidade nos levou a sermos mais criativos em nossa relação com o tempo. Estamos conseguindo, inclusive, “enganar o tempo” até certo ponto: aceleramos e desaceleramos, dobramos e reestruturamos o tempo de várias maneiras diferentes ao nosso tempo.

No último ano, tenho implementado muitas estratégias temporais por conta própria: a construção de novos ritmos. Exercícios diários, reuniões quinzenais com a família por vídeo chamada, uma taça de vinho às 19h da noite de uma sexta-feira ou tentar fazer um prato diferente no fim de semana marcam a passagem do tempo.

Mas o que de fato mudou na sua vida com essa pandemia e esse período de quarentena? Você já parou para pensar? Já percebeu que as relações familiares mudaram? Quem tem criança em casa agora sabe bem o novo ritmo com elas diariamente pertinho; ou quem tem idosos, e tem que manter o distanciamento social para a segurança deles, aprendeu o poder que uma chamada de vídeo tem. Aprendemos que estar distante fisicamente não quer dizer abandonar, esquecer as pessoas “em um canto qualquer”.

E, aos poucos, fomos adaptando nosso jeito de nos deslocar pela cidade, nossos horários e locais de trabalho, nosso jeito de comprar, de consumir. Adaptamos nossas rotinas, nossas famílias, nossos encontros com amigos, nossas festas e comemorações. Adaptamos nossos hábitos de higiene, a forma como fazemos compras de supermercado, a limpeza antes de guardar tudo no armário. Aos poucos, vamos nos transformando e como a repetição leva ao hábito, criando hábitos que nem percebemos.

Mais interessante, descobrimos que podemos e devemos enganar o tempo e planejar o futuro – mesmo quando nos sentimos presos no presente. Vamos quebrar essa sensação de estar preso no presente. O futuro existe!

Por: Eduardo Sousa

Deixe seu comentário