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Staniando: Sou Silêncio
Staniando

Staniando: Sou Silêncio

Por Prof.ª Dra. Stânia Vasconcelos

Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade e
inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo,
bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio.
Clarice Lispector.

Diante de tudo o que anda acontecendo atualmente no mundo, tento olhar e enxergar o que pode ficar de bom (o que já demonstra o aumento de minha fé) e, assim, percebo mudanças agradáveis em nosso comportamento humano, diante desta nova rotina imposta por essa situação: a revisão de nossas crenças e valores.

Logo, passamos a nos unirmos mais e trabalhamos com mais pessoas como equipes, seja em casa, no trabalho, seja o que e aonde for, fez-se necessário olharmos com mais confiança para os colaboradores, já que o home office deixou de ser uma alternativa para ser uma necessidade. Sem falar que, agora, menos é mais, passamos a consumir menos e a economizar mais, revendo nossos hábitos de consumo. “Consumir por consumir saiu de ‘moda’”, escreve Sabina Deweik, pesquisadora de comportamento e tendências. Buscamos por novos conhecimentos por questão de sobrevivência no mercado (além de ser um prazer). Mas a era de incertezas aberta pela pandemia aguçou esse sentimento em mim e em você, que passamos, nesse primeiro momento, a ter mais contato com cursos online com o objetivo de aprender coisas novas, divertir-se e/ ou se preparar para o mundo pós- -pandemia. Se a busca por conhecimentos está em alta, o canal para isso daqui para frente será a educação a distância, cuja expansão vai se acelerar.

Além de todas estas mudanças, uma eu gostaria de comentar com vocês, que continua a acontecer comigo, com bem mais frequência neste último ano: a quietude, a minha quietude. Ela foi surgindo, devagarinho e, quando percebi, ela já fazia parte de minha rotina, de meu dia a dia. Nos momentos em que me encontrava confusa, em que as coisas não faziam sentido, sem lógica, comecei a prestar atenção no silêncio. Calava-me (e calo ainda), aquietava meu coração, controlava a respiração, fechava os olhos e procurava, dentro de mim, algumas respostas das quais precisava. Em períodos complicados, muitas vezes, ouvi e enxerguei com o coração. Tenho aprendido muito com o silêncio. Ele quase sempre diz a coisa certa. Para Martin Luther King, “no final, não lembraremos das palavras dos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos”, já para Confúcio, “o silêncio é um amigo que nunca trai”. Há outros ditos populares na mesma linha: “A palavra é de prata e o silêncio é de ouro”, “O silêncio vale mais do que mil palavras”. A Bíblia defende algo parecido: “Até o insensato passará por sábio se ficar quieto e, se contiver a língua, parecerá que tem discernimento” (Provérbios 17:28).

Tracei uma meta para mim: implementar, em minha rotina, o dia do silêncio (ainda não consegui, mas quero fazê-lo, em breve). Fico pensando no que vou fazer neste dia mensal (vou nomeá-lo Psiu). Talvez, destine-o para colocar meus escritos em dia, ou, sei lá, ouvir o meu coração, desacelerar um pouco, livrar-me das futilidades diárias. Acredito que isso vai me ajudar a me livrar um pouco do estresse do dia a dia, dos problemas que o cercam. Estou me esforçando para isso e estou determinada a chegar lá. Felizmente, já aprendi a exercitar pelo menos esta, que talvez seja a artimanha mais importante de todas: guardar silêncio quando estou chateada ou com raiva. Trata-se, mais uma vez, de apenas saber quando é melhor ficar quieta.

Dito tudo isso, meu conselho é: sobretudo, neste período de distanciamento social que nos foi imposto, reserve um tempo diário para “ouvir” o silêncio. Assim, permita-se estar só, nem que por alguns minutos, na companhia exclusiva dos próprios pensamentos, e converse com você mesma. Faça isso sempre que puder. Volte seus pensamentos para dentro do seu ser e reflita. Avalie o que é desimportante e projete na mente o que você gostaria de conquistar. Em seguida, decida se é melhor falar sobre isso ou manter suas ideias quietinhas, onde elas estão mais seguras: consigo mesma. Escute o que o mundo quer lhe dizer!

Por: Eduardo Sousa

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