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Staniando: A solução certa!
Staniando

Staniando: A solução certa!

Por Prof.ª Dra. Stânia Nágila Vasconcelos Carneiro

Agora, não estou me sentindo muito inteligente (levei quatro dias para escrever este texto). Estou preocu­pada com algo invisível que me prende em casa, rouba meus pensamentos, me inquieta a todo momento, me afasta dos que amo, tira minha liberdade, deixa-me com aquela sensa­ção de impotência, de que nada posso fazer. Logo eu, que sempre fui tão independente, tão “dona de mim” e tão decidida”. Pois é, agora me encontro aqui, tentando assumir uma outra e inusitada rotina, uma jamais vivi­da por mim: permanecer em casa, sem direito de ir e vir.

Já me encontro assim há dias: isolada de tudo e de todos, sem ir ao trabalho, sem via­jar, sem abraços e beijos, sem toques no rosto e cheia de manias: lavando as mãos de duas em duas horas, evitando colocar a mão no rosto (muito difícil), com meu neto por perto mas nada de poder beijá-lo. Enfim, saudosa daquele contato social tão comum no meu, no seu dia a dia. Tão comum que não valori­závamos tanto quanto devíamos, não é? Tudo era tão natural: idas e vindas, conversas, sor­risos, toques, abraços, encontro com amigos, cafés, jantares, reuniões familiares e profissio­nais. Repentinamente, uma reviravolta total, a vida nos impõe outra situação totalmente surreal. Parece até que somos personagens principais daqueles filmes de criativas e incrí­veis catástrofes.

O mais interessante e engraçado de perce­ber é que, agora, o que nos dividia quando estávamos juntos fisicamente, hoje, nos une. A internet é nosso veículo transmissor de sen­timentos e de informações, ela nos aproxima dos nossos e nos apresenta a realidade vivi­da por todos, ela nos encoraja a seguirmos adiante, nos fortalece com exemplos dados por muitos outros, nos encoraja a sermos fortes. Ela, mais uma vez, muda nosso com­portamento, fazendo-nos perceber o que real­mente é mais importante e o que de fato nos move: o amor. O amor por nossa família: pais, cônjuge, filhos, netos, irmãos e agregados e pelos amigos, que ultimamente, percebemos que são também nossa família. Surge um sen­timento de amor-preocupação, amor-cuidado, queremos saber como o outro está se sentindo e se saindo nesta situação, queremos ver, con­versar e sorrir.

E nesse ínterim, vivendo nesta nova realida­de tão insólida, nos fortalecemos, não por nós mesmos, mas pelo outro, esse outro que ama­mos e de quem os afazeres diários, muitas ve­zes, nos distanciam. E vamos deixando para de­pois e para depois.

Agora sabemos, mais ou menos, o quanto dependemos deles para sermos felizes e, mais uma vez, o amor, que também é visível somente através de nós e de nossas ações, nos fortalece e nos faz criativos, ousados, competentes, inte­ligentes para lutarmos contra o que é invisível e que precisa de nós para sobreviver. Agora, en­contramos a solução contra esse vírus, o amor: o primeiro nos deixa distantes dos entes queri­dos, mas o segundo nos une, nos entusiasma a lutar e vencer. O amor vence tudo, já disse alguém.

Então, não seremos abatidos, o segredo é o amor que faz de nós uma fortaleza firme, insis­tente e resistente. Parafraseando Ariano Suas­suna, “tenho três armas para lutar contra o de­sespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo, o galope do sonho e o amor que pulsa dentro de mim. É com isso que enfrento, e que você deve enfrentar, essa dura e inusitada realidade que estamos vivendo atualmente”.

Por: Eliane Rodrigues

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