• Blog UniCatólica

Um texto amargo para falar de um tema doce: a Páscoa
Pastoral Universitária

Um texto amargo para falar de um tema doce: a Páscoa

Por Prof. Dr. Rudy Albino de Assunção

Coelhos e ovos de chocolate. Um símbolo fofinho e um presente saboroso que acabaram substituindo o essencial: Cristo Morto e Ressuscitado. Com Jesus acontece sempre isto: o secundário é posto em evidência até que Ele seja ignorado. No Natal um bom velhinho barbudo, rechonchudo, simpático, que dá presentes. Uma árvore cheia de luzes e enfeites que ofusca ou substituio presépio. Não me espanto, pois Cristo dá tudo, mas pede tudo: sobretudo a entrega de si mesmo, a aceitação do peso dos dias. Queremos presentes, embalagens brilhantes, não a cruz, nem a manjedoura. Queremos viver sem exigências, só com compensações, retribuições, comodidades. Queremos Cama Box. A Bíblia diz: “Do Egito chamei o meu filho” (Os 11,1), que o primeiro evangelista aplica a Cristo (Mt 2, 15). Nós, do Egito, só queremos o algodão para os lençóis de 1000 fios.

Os mistérios de Cristo foram transformados em festas seculares, com símbolos esvaziados do seu conteúdo original. E não pensem que estou exagerando. Nós conseguimos inventar o “baile de Páscoa” com mulheres vestidas de “Coelhinha da Playboy”! Conseguimos transformar a Quarta-feira de Cinzas em “saideira” feita de blocos e feijoada – em tempos normais também no dia de apuração dos desfiles de escolas de samba.

Aqui a crítica é mais um lamento. Sei que pareço um pouco amargo, mas estamos em pleno tempo pascal e não nos damos conta que ele significa que Cristo inaugurou uma nova forma de viver, de perceber o tempo e a história.

Viver segundo a Páscoa: eis o nosso desafio. A Páscoa é liturgia, mas é vida. O mistério pascal, que engloba a Encarnação, a Paixão, a Ressurreição e a Ascensão, é algo que atinge o nosso cotidiano. O que muda em mim o fato que Deus assumiu a minha humanidade? Isso quer dizer que a minha dor, as minhas situações familiares, o meu trabalho, passam a ser abraçados por Deus de modo radical. Não estou sozinho em casa, no meu escritório, na cozinha, no leito do hospital. Estou acompanhado no meu casamento e nos seus conflitos. Sou sustentado, amado, protegido, consolado.

E mais: Cristo aceitou a morte por mim. Lançou-se no abismo para me arrancar de lá. É o que celebramos na manhã do sábado de Aleluia, a descida à “mansão dos mortos”. Ele subiu ao céu para me puxar para lá com Ele um dia. Sei que precisamos percorrer um caminho de estudo, de oração, de amadurecimento para entendermos tantas coisas que parecem abstrações. Mas precisamos de uma certeza, da verdade, que sirva como um ponto de partida:

Ele me dá o sentido que eu não produzo por mim mesmo. Ele me dá motivo para viver. Pois Ele vive.

Por: Eduardo Sousa

Deixe seu comentário