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São José não teria instagram
Pastoral Universitária

São José não teria instagram

Por Prof. Dr. Rudy Albino de Assunção

O Papa Francisco convocou, por meio da Carta Apostólica Patris Corde, um Ano especial dedicado a São José (8/12/20-8/12/21). Lembro que já temos duas festas litúrgicas dedicadas a ele que nos ajudam a viver a sua memória: 19 de março e 1 de maio. Nelas vemos duas dimensões dessa figura extra[1]ordinária: esposo e pai (adotivo), por um lado, e trabalhador, por outro. O Papa acrescenta algumas notas à personalidade josefina, além das mencionadas, sobre as quais precisamos refletir mais: pai amado, terno, acolhedor, obediente, corajoso, que viveu na “sombra”. Quero, pois, ater-me a esta última característica.

Em algum momento, o Papa diz que José é um “homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida”. É interessante, então, que numa sociedade do espetáculo e da imagem, Francisco nos proponha um exemplo tão poderoso que vai na direção contrária às ondas do nosso tempo. Por isso, postulo que, se vivesse hoje, São José não teria Instagram. Não haveria um @joseojusto.

Seu Filho era a Luz.
Ele se contentou em ser uma das
janelas para que ela entrasse no
mundo.
Jesus fez o centro da sua Igreja a
partir da ceia, de uma mesa.
José simplesmente fazia mesas.
E como pai, sua preocupação era
pôr a mesa.
Cristo morreu, à vista de todos,
sobre um madeiro.
José, oculto, trabalhou a madeira
como carpinteiro.
Martelo e pregos foram usados
para matar o Filho de Deus.
José usou martelos e pregos para
sustentar a vida do seu Filho.

Aí está o mérito de um homem que sofreu, que se angustiou, que teve de fugir, migrar… Sua vida não foi fácil. Nunca se pôs no centro. Até hoje conhecemo-lo como “esposo de Maria”… O “Zé da Maria”. Da Galileia. Não da capital, dos grandes centros. “Periférico” sem deixar de ser fundamental. Tanto que foi adotado por Jesus como pai.

A memória deste carpinteiro é a celebração da vida ordinária. Da santidade sem exibição, do trabalho comum que é veículo de uma obra divina extraordinária. Alegrou-se por ser o homem de uma mulher que era a Mulher; por ser o pai de um só filho, mas que era o Filho. José foi grande porque soube viver sua pequenez ao lado de tanta grandeza.

Por: Eduardo Sousa

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