• Blog UniCatólica

Salve, Rainha: uma oração esperançosa para as nossas crises
Pastoral Universitária

Salve, Rainha: uma oração esperançosa para as nossas crises

Por Prof. Dr. Rudy Albino de Assunção

Nunca fui um autêntico devoto de Maria. Ainda estou aprendendo a sê-lo. Não cresci num ambiente mariano; para ser sincero, não vim a este mundo num núcleo familiar que se destacasse por uma marcada piedade doméstica. Cresci, posso dizer assim, em boa estatura, muita graça e pouca sabedoria no átrio e na sacristia do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, em Gravatal (SC). Ali a devoção era marcadamente cristocêntrica; a devoção a Nossa Senhora era um tanto colateral, ao menos para mim. Lembro- -me mais da Via Crucis do que do Rosário dentro da Igreja.

Mas uma oração que me tocou desde muito cedo foi a Salve, Rainha. Quando era muito mais jovem, eu ouvia dizer que essa tradicional oração expressava uma mentalidade superada, pessimista, por identificar o nosso mundo com um vale de lágrimas. Por isso, deveria ser deixada de lado, preterida em favor de preces mais otimistas. Creio diversamente: a Salve, Rainha é uma das orações mais atuais que temos, pois nos fala de uma esperança centrada em Cristo pela mediação de sua Mãe. Não é otimista, mas esperançosa.

Eu, um “realista esperançoso” na linha de Ariano Suassuna, penso às vezes que o otimismo por si só pode representar falta de consciência do que acontece ao nosso redor. Pode ser puramente emotivo ou declaradamente ideológico. Por isso mesmo sempre me chamou a atenção uma música de Frejat que dizia: “Quando você ficar triste que seja por um dia/ E não o ano inteiro / E que você descubra que rir é bom / Mas que rir de tudo é desespero”. Essa é, um pouco, a medida com que leio e rezo a Salve, Rainha: em meio a tudo o que vivemos podemos, sim, sorrir; mas não podemos rir de tudo. Por isso, ela é uma prece que ensina equilíbrio. Dá a medida para os nossos pedidos em tempos de crises. Há dor e luto no mundo e precisamos de um socorro que jamais virá de nossas ações. Educa-nos para a confiança, para o ato de afiançar a própria vida nas mãos de um Alguém todo-poderoso.

Precisamos lançar continuamente aos céus um grito vibrante de que a nossa caminhada neste mundo não será sempre marcada por sol ardente, fadiga, sombras (e nem mesmo pandemias!). Sim, o mundo é um vale, no qual podemos chorar. Mas é um vale como o que viu o Salmista: nele está o Senhor, nosso Pastor, que nos toma pela mão e nos conduz a pastagens tranquilas, onde há refrigério, no qual se pode descansar, fora do sol escaldante, na grama, com um cálice transbordante (Cf. Sl 23[22)). No fim, todos anelamos por sombra e água fresca.

Vejam que na conclusão da oração está o pedido mais forte: depois deste desterro (exílio), mostrai-nos Jesus. Quem, depois de tanto tempo longe da sua terra de origem, não quer ver as pessoas que mais ama? Se viemos de Deus e queremos voltar para Ele, não nos resta nada senão pedir para vê-Lo face a face. No fim de tudo, no fim da nossa história, está uma visão, mediada por Maria: a do rosto daquele Rei-Pastor, o bendito fruto do ventre da Rainha, que nos conduz pelos vales deste mundo – sejam floridos ou assustadores – para a vida definitiva. Lá, no seu Reino, a Salve, Rainha fará todo o sentido.

Por: Eduardo Sousa

Deixe seu comentário