• Blog UniCatólica

Jesus e o seu exército de velhinhas
Pastoral Universitária

Jesus e o seu exército de velhinhas

Por Prof. Dr. Rudy Albino de Assunção.

Eu cresci à sombra do campanário do Santuário do Sagrado Coração de Jesus em Gravatal (SC). Nas grandes Missas de junho, como coroinha, eu via – desde o altar – um mar de cabelinhos brancos, fitas e bandeiras vermelhas do Apostolado da Oração. A celebração de concentração do AO começava sempre com o hino que, até hoje, me comove e me arrepia: Levantai-vos, soldados de Cristo / Para frente marchai à vitória, / Desfraldando a bandeira da glória, /A bandeira real de Jesus. Um canto triunfalista, potente, marcial: Jesus é rei, nascemos para a luta, a terra é campo de batalha renhida, constante. Mas venceremos. É o hino de uma cruzada, de uma guerra verdadeira, com o “inimigo” à frente.

Até hoje, essa lembrança infantil ainda me faz pensar. Reflita comigo: ele é cantado geralmente por senhoras e senhores, pela “terceira idade”. Não sei que comandante no mundo recruta quem tem problema de pressão, diabetes e osteoporose (risos). Mas de uma coisa eu sei: Deus os escolheu. Você poderá encontrar armas perigosíssimas com eles, como água benta, imagens baratas de gesso do Sagrado Coração e de N. Sra. Aparecida, rosários, exemplares do Mensageiro. Eles se exercitam todo dia na oração, mas se reúnem toda primeira sexta-feira do mês para atualizar o seu estratagema: rezar pelas intenções do Papa e fazer uma novena.

Deus faz isso sempre. Maria Santíssima já cantou que Deus exalta os pequeninos, os mais simples (Lc 1, 52). Começa seu povo no AT não com um casal jovem, forte e saudável, mas com um idoso e sua esposa estéril (Gn 21). No NT o Senhor conta com apóstolos, doutores, profetas, taumaturgos e carismáticos de todo tipo (1 Cor 12, 27-30). Mas não deixa de querer para si, em todo tempo, também um exército de velhinhas.

Definitivamente, a força delas não está nas pernas, não está nos braços musculosos, nem nos olhos ágeis. O “Senhor dos Exércitos que passa em revista o exército de guerra” (Is 13, 4) escolhe gente que reza, que deixa a televisão ligada o dia todo – com um copo d’água por perto – na TV Aparecida, Rede Vida, Século 21 e Canção Nova para levar adiante a expansão do seu poderio. Ele definitivamente gosta de quebrar os nossos esquemas mentais. Escolhe os fracos para confundir os fortes (1 Cor 1, 27).

Isso me consola tanto. O Coração divino não quer generais, mas associados(as) e zeladores(as). Soldados-que-são-discípulos, sobretudo. A causa de Jesus é levada adiante por aqueles que lutam com bandeiras que têm bordados nelas uma cruz e um coração coroado de espinhos, presas a uma lança que recorda aquela que lhe feriu o lado. Os símbolos do seu triunfo são os instrumentos que causaram a sua aparente derrota. Por isso, nenhuma moda, nenhuma grande corporação, nenhum sistema político, nenhum grupo fundamentalista sairá vitorioso deste embate, pois o nosso Deus luta de peito aberto, ladeado por quem realmente tem o destino do mundo em suas mãos: aqueles que creem e esperam n’Ele, “Jesus piedoso, Deus amoroso, frágua de amor”.

Por: Eduardo Sousa

Deixe seu comentário