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Staniando: Nossas mãos guardam segredos
STANIANDO

Staniando: Nossas mãos guardam segredos

Por Prof.ª Dra. Stânia Nágila Vasconcelos Carneiro

Estando com minha “Peixinha Dory”, com minhas mãos entrelaçadas nas dela, olhei para suas mãos: tão enrugadas, branquinhas, pele tão fininha, dedos longos, sem um anel, sem esmalte, sem força, sem firmeza. Tão trêmulas, frágeis, qualquer pancadinha virando uma ferida. Já não estão ou são como antes, apesar de continuarem tão macias: lembro-me, com saudades, de sua firmeza, agilidade, ao segurar com habilidade uma tesoura ou uma colher, ou quando enfiava uma linha naquele buraco tão pequenino da agulha.

Aquelas mãos têm uma história que se entrelaça na minha. Olhando para elas, vi minha infância, adolescência, maturidade. Aí, caí na besteira, confesso-lhes, de olhar para as minhas mãos. Assustei-me, elas já estão tão diferentes: não são mas aquelas mãos “de princesa”, como dizia meu marido, não são mais tão macias, lisinhas e sem marcas. Elas já têm, também, a sua história. Fiquei staniando: o que minhas mãos já fizeram por este caminho tão tortuoso chamado vida?

Lembremo-nos de que as mãos estão na história: Jacó estendeu as mãos para abençoar Efraim e Manassés. Moisés levantou a mão com um cajado para salvar o povo de Israel; Jesus abençoava com as mãos, impôs as mãos sobre as crianças para abençoá-las e para curar a filha de Jairo, o surdo-mudo, o cego de Bet saida e tantos outros. Foi com as mãos que Jesus amparou Madalena, Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência. Foi com as mãos que Judas pôs, ao pescoço, o laço, os antissemitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte. Os soldados de Hitler, em continência e respeito, levavam as mãos eretas à testa. Mãos que mudaram a história. E se alguém produzisse um documentário sobre nossas mãos? Já pensou? E se nossa história fosse contada a partir delas?! A que assistiríamos? Com certeza, o filme começaria com um punho infantil: mãozinha delicada e pequenininha, depois uma mãozinha fechada em torno de um dedo de uma mãe. E depois? Segurando algo colorido e barulhento que chamava sua atenção ou mãozinha fechada nos próprios cabelos. Quem sabe, apoiando-se em algo enquanto aprendia os primeiros passos? Segurando alguma coisa fortemente para ninguém tomar de você ou cheia de biscoito levando à boca ou, quem sabe ainda, lambuzada de areia de lama. Depois, pegando, muito sem jeito, em um lápis e, com muita força, tentando rabiscar algo. Mãos feridas. Sei lá, de alguma queda, mas, ainda, estendidas, pedindo “Bênção, pai!”, “Benção, mãe!” Mãos tão macias.

E se fosse exibir um filme aos seus amigos, heim?! Provavelmente, teria orgulho de certas cenas: suas mãos estendidas com um presente, ou entrelaçadas em outra mão, mãos acariciando, sendo levadas aos lábios, soltando beijos, colocando ou recebendo um anel no dedo de outra (ou na sua) mão, cuidando de uma ferida, passando a mão na cabeça branquinha de seus pais, avós, enxugando as lágrimas que teimam em cair de seu rosto, mãos suadas em expectativa, preparando uma refeição, construindo algo, fazendo carinho em alguém, balançando de um lado para outro dando um adeus, mãos juntinhas orando, mãos abençoando, apertando uma outra mão, escrevendo muito, folheando livros, passando a mão no rosto em frente ao espelho, percebendo como o tempo passa rápido, pedindo silêncio com um dedo nos lábios, aplaudindo. Ah! Ia esquecendo, digitando e digitando, mãos calejadas.

E então, lá estaria outra cena: mãos tomando mais do que entregando, exigindo em vez de oferecendo, batendo, punhos fechados, dedos nervosos, inquietos e inseguros. Puxa! Que poder têm as nossas mãos! Deixe-as por sua própria conta e elas se tornarão uma arma: debatendo-se pelo poder, estrangulando por sobrevivência, seduzindo por prazer. Mãos necessitam de controle, para que sejam instrumentos de graça. Mãos arrependidas.

O aperto de duas mãos já foi a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade, assim como a firmação de um trato de guerra. Muitas mães já protegeram os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes. Nas despedidas, partimos, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando-se no ar. Com as mãos, já limpamos muito as nossas lágrimas e as lágrimas alheias. Mãos que ficam. Pense nisso!

Qual a história de suas mãos, que história ela está escrevendo para ser lida futuramente?

Nossas mãos são abençoadas. Use-as para edificar, elevar, dignificar, apoiar, acenar com a esperança de melhores dias. Elas contam e contarão a sua história.

Por: Eliane Rodrigues

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