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Staniando – “Houhouhou…”
STANIANDO

Staniando – “Houhouhou…”

Por Prof.ª Dra. Stânia Nágila Vasconcelos Carneiro

Quando eu era criança, o tempo demorava a passar. Lembro que de um Natal a outro era uma eternidade, contava os meses e os dias para as festas natalinas. Naquele tempo, não havia internet, somente uma televisão que ficava na sala e a prioridade da programação era do papai. Recordo, com carinho, de cada detalhe vivido, principalmente daquela época mágica: de cada visita a casa dos avós; cada pudim (inesquecíveis, feitos por mamãe em dias especiais!); cada vestido novo feito também por ela, iguaizinhos para as três filhas, (que nos fazia parecer gêmeas!); cada missa assistida em família; cada cartinha escrita, jogada em cima da casa, para o Papai Noel, explicando como havia se comportado durante o ano e o que desejava ganhar; cada oração feita antes de dormir; cada presente colocado “debaixo de nossa rede” (lembro que fazíamos um furinho na rede, fingíamos estar dormindo e ficávamos paradinhos para vermos o bom velhinho; cada refeição deixada para o Noel na mesa da sala; de minha cara de surpresa ao me deparar não só com o presente mas, principalmente, com o prato vazio no dia seguinte. Ah! Bens preciosos para uma família feliz! Foram muitos os fatos significativos que hoje me levam a valorizar o tempo e a vida; a inocência e a fé; a magia e o encanto; o amor e o cuidado.

Mas o Natal, onde fica? Nesta história, está um sentimento de gratidão a Deus por tudo o que foi vivido e, principalmente, sentido. Um mês antes do Natal, papai já começava a pintura da casa, ele mesmo pintava, sentia prazer em fazê-lo; minha mãe já montava a árvore com bolas de vidro coloridas guardadas durante o ano como verdadeiro tesouro, não só para receber a família, mas, principalmente, para que nós, os seis filhos, vivenciássemos esta data, ”o nascimento de Jesus em nossos corações”, dizia ela. No chão de tijolinhos vermelhos se passava uma camada de cera vermelha e depois a “enceradeira”. Quantas vezes vi mamãe ajoelhada passando a cera ou nós mesmos tentando ajudá-la para que o chão ficasse brilhando! Não tínhamos presépio, mas nossos pais nos levavam para ver o da Igreja Sagrado Coração de Jesus, magnífico, enorme e muito visitado pelas famílias. Além deste passeio, íamos ver as vitrines das lojas, porque naquela época as lojas eram enfeitadas com muitas luzes coloridas, presépios, Papai Noel e duendes que se rebolavam e cantavam músicas natalinas, carrosséis giravam. E, com aquelas imagens, minha imaginação de criança ia longe. Cada imagem refletia a ternura daquele tempo. Dava para sentir um clima misterioso no ar, entre vizinhos, entre desconhecidos. Era o Natal, era festa realmente!

Era um clima de fraternidade e fé. O melhor eram as brincadeiras, as comidas especiais feitas somente naquela ocasião e, principalmente, a felicidade de meus pais com a nossa alegria. Por isso que a demora para esta festa era prazerosa. Realmente, de um ano para o outro havia uma espera interminável, um contar dos dias para reviver tudo de novo. Quando o Natal terminava, eu chorava de saudade. E a vida continuava na mesma tonalidade e tudo era muito bom.

Dizem que a saudade é o amor que fica. Realmente, ficaram impressas na minha alma saborosas recordações que jamais serão tiradas. Acredito que precisamos voltar ao passado para restabelecer um novo significado para o presente. No mundo doido em que vivemos, o Natal é mais um evento atropelado pelo consumismo e pela agitação. O Natal do meu passado era esperado, pois o tempo era valorizado. Hoje, já se vive o natal antecipando o Carnaval, a Páscoa, Dia das Mães, Namorados, etc. Ou seja, vivemos sempre o depois e no dia da festa não sentimos absolutamente nada. Vivemos um tempo de ilusão. Por isso, tenho saudades do Natal.

Talvez este texto nada represente ou represente muito pouco para quem o lê, pois não tiveram a mesma experiência que eu. Porém, vale testemunhar que o Natal é a gente que faz. Eu não tive escolha quando era criança, o Natal era daquele jeito mesmo e para mim era o melhor. Aliás, digo-lhes que continua sendo, pois ainda preservamos este espírito natalino e a mesma rotina de nossos pais e avós em nossa família! Mas você, hoje, pode determinar sua vida e pode programar seu Natal, as suas festas, e dar a elas o que realmente importa: sentimento ou banalidade. Depende da intenção. Staniando: lembre-se de que o “Natal dos sonhos é aquele que você idealiza no espírito, sente no coração e partilha na solidariedade!” Autor Desconhecido.

Por: Eliane Rodrigues

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