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Sou passageira de uma vida passageira
STANIANDO

Sou passageira de uma vida passageira


Por Prof.ª Dra. Stânia Nágila Vasconcelos Carneiro

Inicio dizendo-lhes que voltei a reler a Bíblia e, lendo o livro de Juízes, percebi como somos passageiros, muito passa­geiros. O livro narra um período da história de Israel em que não havia liderança esta­belecida. Entendi que estes juízes surgiam para liderar o povo ao arrependimento, coisa assim.

Mas o que me chamou a atenção foi a lon­ga, longa lista desses juízes e de seus prin­cipais feitos bem resumidos. Jair foi um de­les: liderou o povo por 22 anos, e do quase nada que se diz dele, percebi que ele tinha, ou melhor, teve “30 filhos que montavam 30 jumentos”.

Há também as genealogias. Fulano gerou A e B e morreu; por sua vez A gerou Y e X e morreu. Em um parágrafo gerações se vão. Ah! Se eu tivesse curiosidade sobre a vida deles, nem uma palavrinha, nem um ad­jetivo, nada mais foi escrito. É como se eles não tivessem vivido ou tivessem vivido ape­nas para procriar, dando prosseguimento às suas gerações.

Fiquei staniando: Não quero passar em vão. Quero ter uma história. Quero guardar no meu olhar e na minha pele as marcas de toda uma vida. Deixar para os outros uma infinidade de conhecimentos que a vida me transmitiu, pois é com ela que aprendo dia após dia. Quero que saibam que aprendi a lidar com as “feridas” de uma forma (não lhes nego) admirável. Que a fé sempre me acompanhou cada segundo de minha vida. Que tentei ser feliz todos os dias, que eu era divertida, simpática, amorosa, alegre, estudiosa, curiosa, muito responsável, entre outras coisas.

Que cometi pecados e magoei algumas pessoas, mas sempre tentei consertar meus erros. Que adorava viajar. Por mim, viveria dentro de um avião para lá e para cá, co­nhecendo lugares, pessoas, comidas, mas amava de montão mesmo era a família. Com a família, os melhores momentos fo­ram vividos, as melhores viagens, os me­lhores cafés, os melhores sorrisos, o melhor tempo.

Que eu era seletiva em relação às amiza­des, e assim, fui uma mulher de poucos ami­gos, pois contava-os nos dedos. Que eu era humanamente INCAPAZ de agradar a todos, mas sempre tentei dar o melhor de mim.

Que eu gostava de festas, de shoppings e adorava dançar. Chocolate era meu vício. Fã da Alcione, do Elvis e do José Augusto, sem falar da Cora Coralina. Detestava gritos e es­perar. Era uma pessoa normal como todas as outras.

Tinha minhas dúvidas, e sempre estava pronta a aprender, adorava presentear quem conhecia. Era nervosinha na hora que devia ser, e não me abalava muito fácil. Gostava das coisas do meu jeito e, quando não eram assim, tentava entender. Era uma “caixinha de surpresas“ e o que eu só queria era ser feliz e mais NADA.

Encerro fazendo das palavras de Tatiane Éfer as minhas: “As coisas e as pessoas não são eternas. Ora! Somos perecíveis! Eterno é o que fazem com nossos corações e almas ao passarem por nós. Aquilo de inédito que nos fizeram sentir”.

Por: Eliane Rodrigues

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