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Introspectiva, eu?!
Staniando

Introspectiva, eu?!

Pois é, neste tempo de isolamento social, acabei convivendo mais comigo mesma. Acho que aconteceu a mesma coisa com muitos de vocês, também. Conheci uma nova mulher, acreditem: mais impaciente, mais exigente, mais preguiçosa, mais desenrolada, mais “chatinha” e mais introspectiva. É isso, descobri-me introspectiva. Foi em uma conversa, dessas virtuais, com uma amiga (já lhes disse que sou mulher de pouquíssimas amizades), quando lhe contava a necessidade que sentia de visitar meus parentes, ou ir ao shopping, ao cinema, sei lá, perambular por aí. Estava meio que desanimada com esta situação. Foi quando ela, que é bastante intelectual, comentou: “Stânia, você é muito introspectiva. Relaxa, aproveita cada momento.” Tomei um susto, mas quem me conhece sabe que sou igualzinha a um camelo, vejo as coisas, escuto-as e somente depois de muito ruminar, vomito. Pois bem, depois de muita conversa, já à noite, deitada, lembrei-me da tal “introspecção”. O que ela quis dizer com aquilo? Eu, introspectiva?! Será?! Vocês já sabem, caríssimos, que não consegui dormir, levantei-me e fui pesquisar, queria saber onde me encaixava neste tal adjetivo cheio de preconceito e não muito bem visto.

Segundo o dicionário, introspectivo diz respeito ao “que examina o próprio íntimo, os sentimentos, as reações etc.”. Na prática, são pessoas que possuem uma personalidade co- municativa retraída, de pouca interação e baixa intimidade com o mundo exterior.

Acredito que o dicionário esteja certo, né? Então minha colega teria me qualificado corretamente?! Terei uma comunicação retraída? Sei não. Mas concordo que examino cada pensamento e ação minha e que meu contato com o outro é meio complicado, não me entrego com facilidade. Estava complicada esta situação até que encontrei uma solução: Significados formais do dicionário não são exatamente adequados para descrever a personalidade de uma pessoa introspectiva. Muitas vezes, as ações desses indivíduos falam mais alto que qualquer classificação. Assim penso ou quero pensar.

Não acomodada com esta resposta, fui procurar características de uma pessoa introspectiva. Acreditem, às 2h da manhã estava eu nesta busca (risos) e resolvi listar estas características e ticar aquelas nas quais me adequava:

  • Pessoas introspectivas apreciam o silêncio e sentem-se bem em um ambiente quieto. Adoro minha própria companhia. Não me sinto só, estando sozinha.
  • Pensar muito antes de falar ou agir. Penso e falo tão rápido que as palavras me faltam.
  • Pouca paciência com conversas sem conteúdo. Minha idade já não permite que eu perca muito tempo.
  • O sentimento de estar sozinha no meio da multidão. Não é ruim não, viu?
  • Pessoas introspectivas costumam ter aversão à prática do networking, tipo de conversa profissional voltada para a autopromoção e a criação de contatos. Adoro manter contato com pessoas certas nas horas certas!
  • Por se prenderem aos próprios pensamentos, os introspectivos tendem a se entediar com o mundo à sua volta, principalmente quando muitas coisas acontecem ao seu redor. Assim, se distraem com muita frequência e se perdem nos próprios pensamentos. Meu mari- do sempre pergunta, ”você está pensando em quê? Está me ouvindo?”.
  • O cérebro dessa pessoa tende a focar em apenas uma atividade ou aprendizado. Sua personalidade o permite se concentrar em assuntos e temas, refletindo sobre eles por um tempo. Assim, tende a se dedicar mais facilmente a estudos aprofundados. Costumo fazer, no mínimo, três coisas ao mesmo tempo.
  • Quando é possível, os introspectivos pre- ferem escolher com quem vão interagir. Tenho uma dificuldade enorme de atender telefone e Whatsapp, por aí vocês tiram.
  • Pessoas de personalidade introvertida têm um traço observador muito forte, processando informações visuais de maneira mais intensa que os outros. Não me pergunte sobre detalhes, não saberia responder.
  • Um traço muito característico é a habilidade de escrita e da leitura. Preciso comentar?
  • Uma grande vontade da maioria dos introspectivos é a de morar o mais afastado possível dos grandes centros. Estou indo morar na fazenda.
  • Mesmo que planejasse atender a um encontro tranquilamente, ela não se incomoda — e até sente-se aliviada — em ter que ficar sozinha por conta de algum imprevisto alheio. Triste, mas verdade!

Assustei-me: das doze características, identifiquei-me em oito delas. Introspectiva, eu? Às 5h da manhã, mandei uma mensagem para a tal colega: “Amiga, estava pensando e estudando sobre introspecção, acho que sou quase uma mulher introspectiva.” Às 9h horas, recebi uma mensagem dela: “Quase introspectiva?! Não me faça rir. E o que você estava fazendo durante a noite a não ser introspecção?”

É. Os dias vão passando e nós temos que tirar um tempo para nos conhecermos, avaliarmo-nos e nos aceitarmos, né?

Descobri que tenho características muito peculiares, que não me tornam nem melhores nem piores que outras pessoas, apenas percebo a vida de outra forma.

Por: Neuton Júnior

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