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“Tu me seduziste, senhor, e eu me deixei seduzir” (JR 20, 7)
PASTORAL UNIVERSITÁRIA

“Tu me seduziste, senhor, e eu me deixei seduzir” (JR 20, 7)

Por Adolfo Lima – Acadêmico do curso de Teologia.

O mês de outubro começa com a comemoração de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, que é reconhecida pela Igreja como a padroeira das missões. Embora Teresinha não tenha sido missionária como de desejo seu, entregou-se ao máximo à oração cotidiana no mosteiro carmelitano por todos os missionários que se dedicavam ao anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo, razão de nossa esperança (1Pd 3, 15).

O chamado de Deus é sempre um encontro de duas liberdades: a liberdade absoluta de Deus que chama e a liberdade humana que responde a esse chamado. Todo cristão batizado deve assumir este ato missionário que o próprio Cristo ordenou: “Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). Responder a esse chamado é compartilhar da sua paixão e pôr-se a serviço do Reino de Deus, servindo ao outro sem nada esperar em troca, assumindo a grandeza do serviço sem a busca da grandeza do reconhecimento por tal serviço. Os relatos evangélicos nos relatam de forma clara essas ações do Cristo Jesus. Deus se humaniza, toma forma humana, assume a carne em sua pessoa para nos humanizar. Responder ao chamado de Deus é deixar-se se humanizar. Nos relatos dos evangelhos sinóticos, os futuros discípulos de Jesus foram se aproximando dele de formas diferentes. Alguns ele mesmo chamou para perto de si, arrancando-os de seus trabalhos diários, outros aproximaram-se animados pelas suas palavras cheias de esperança que tocavam profundamente o coração. Talvez houvesse quem se oferecesse por conta própria, por sua iniciativa, e certamente Jesus os fez tomar consciência da exigência e renúncia que significava segui-lo. Jesus nunca nos oferece algo sem antes nos mostrar as renúncias necessárias que sua pessoa implica, pelos desafios que farão parte na vida de todo aquele que se decidir por ele. A proposta do anúncio do reino de Deus é somente para quem é livre, pois o anúncio da Boa Nova é anúncio de liberdade.

O chamado de Jesus é radical. Os que o seguem devem deixar suas bolsas e seus pertences que têm em suas mãos. Jesus nos vai imprimindo uma orientação nova à nossa vida. Arranca-nos das nossas seguranças e nos lança em existências imprevisíveis. Dessa forma, o seu reino começará a romper-se no nosso coração. Doravante, atender ao chamado é viver a serviço do reino de Deus, sem distração, sem olhar para os lados, sem tomar de volta aquilo a que renunciou por causa do reino de Deus, sem lágrimas de arrependimento. Responder ao chamado do Senhor é duro para os que são frágeis.

Por fim, Jesus não precisa de uma corte de discípulos e discípulas que estejam dispostos a satisfazer seus desejos. É exatamente o contrário. É ele quem se sente servidor de todos, dando-nos o exemplo: “Pois, qual é o maior: o que está à mesa, ou aquele que serve? Não é aquele que está à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve!” (Lc 22, 27). Ao respondermos ao chamado de Cristo Jesus, devemos ser conscientes de que nunca mais seremos os mesmos, pois as palavras do Apóstolo Paulo ecoarão em nossos lábios: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2, 20).

Por: Eliane Rodrigues

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