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Vocação: o verdadeiro sentido da vida
Pastoral Universitária

Vocação: o verdadeiro sentido da vida

Por Prof. Dr. Rudy Albino de Assunção.

Agosto é um mês habitualmente dedicado às vocações. Ainda hoje se pensa apenas no sacerdócio e na vida religiosa quando se trata do tema vocacional. Mas quem estudou boa sociologia – especialmente de Max Weber – sabe que, desde Lutero, a ideia de vocação foi cada vez mais associada à profissão (beruf), ao trabalho no mundo. Evidentemente, não faltam testemunhos dentro da Igreja Católica – como São Francisco de Sales (sécs. XVI-XVII) e São Josemaria Escrivá (séc. XX) – sobre a importância de viver o seu empenho laboral como forma plenamente cristã de se santificar, como verdadeiro chamado divino.

Mas até aí tudo bem. Saber o que é vocação é uma coisa; discernila é outra. Todos queremos segurança, saúde… Um carro… uma casa… um diploma, talvez. Contudo, descobrir o propósito, o sentido, a meta de toda a nossa vida, é bem mais complicado. É a questão. Incontornável. Mas como já dizia o pai da Logoterapia, Viktor Frankl: “Não se deveria procurar um sentido abstrato da vida. Cada qual tem sua própria vocação ou missão específica na vida; cada um precisa executar uma tarefa concreta, que está a exigir cumprimento. Nisto a pessoa não pode ser substituída, nem pode sua vida ser repetida. Assim, a tarefa de cada um é tão singular como a sua oportunidade específica de levá-la a cabo” (Em busca de sentido, Vozes, 1985, p. 98).

E aí está o nó górdio que só a Desatadora dos Nós ajuda a desfazer! Pois o que eu mais tenho visto é gente que pouco sabe qual o significado do seu estar no mundo e menos ainda aquilo que lhe cabe de concreto e específico. Nunca se falou tanto em suicídio, depressão, em gente sem rumo…

Por um lado, temos aqueles sem horizonte, com potencial desperdiçado, muitas vezes por limitações de natureza social. Descobri faz pouco tempo a geração “nem–nem”: segundo a FGV, quase 30% dos jovens entre 15 a 29 anos nem trabalham nem estudam. Por outro lado, temos uma legião abastada, consumidora e consumida, com um belo Instagram, muito habilidosa e “formosa” nas danças e edições do Reels. E muitos de nós estamos nela. Tanto faz se somos da geração Y ou Z: somos gente com
muitas facilidades em nossas mãos. Não precisamos esperar para ter o melhor filme ou série à nossa disposição. Mas não é no sofá, diante da TV, que as questões fundamentais se resolvem.

Precisamos assumir que fomos chamados a algo que supera os nossos pequenos desejos diários. É imperativo responder à questão esmagadora sobre o real significado de acordar cedo, de trabalhar tanto, de se estressar ainda mais, de perder noites de sono por sonhos que se realizam à luz do dia. É aqui que Deus “entra” (aparece) nesta história. A vida nos põe diante de um teste vocacional diuturno. É quando descobrimos que a vocação transcende a profissão. Que o ofício é uma expressão de uma resposta interior a uma Voz que me precede, que me provoca, que me inquieta, que me ensurdece até que eu Lhe responda com as Suas próprias palavras… Essa Voz divina não quer uma lista de desejos: “eu quero isso, eu quero aquilo…”. Deus quer que eu descubra o propósito que Ele deu à minha vida. É uma verdadeira caça ao tesouro. Ele quer que eu saiba que não sou
pura matéria vagando neste mundo. Sou um projeto. Um projeto de amor. Somos como pedreiros que precisam descobrir o projeto do engenheiro enquanto constroem uma casa. É fácil? Não. Mas pode ser divertido. E só será depois do drama, da lágrima vertida, da purificação dos nossos anseios no fogo da vida e das circunstâncias que estão fora do nosso controle.

E quando você estiver sofrendo, porque ama, ou passando por dificuldades
mil para construir uma família… para levar adiante um trabalho imenso sem certeza de retorno garantido e cômodo… e mesmo assim não estiver pensando um segundo sequer em desistir ou abandonar tudo isso, pois essa situação, essa família, esse trabalho formam o seu lugar no mundo, você terá descoberto a sua vocação. Nesse momento saberá que o chamado de Deus para você não está mais sem resposta.

Por: Neuton Júnior

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